Há algum tempo venho pensando e me preocupando com um fator que chamo de “umbanda superficial”, até já escrevi um artigo sobre isto, e neste final de ano, volto ao assunto depois de algumas observações pessoais.
Ao puxar na lembrança, fiquei pasmo com a quantidade de pais e mães de santo “feitos” este ano, pessoas com 3 ou no máximo 4 anos de Umbanda que de uma hora para outra estão abrindo um terreiro por ai.
E veja, não estou discutindo a questão pessoal, ate acredito que a grande maioria tem sim boas intenções, o que questiono é o preparo destas pessoas para assumirem um papel de suma importância, que é a condução de um terreiro e o cuidado com os médiuns que la estiverem.

Ao fazer um Pai de Santo, o dirigente assume um compromisso muito importante, pois ele deve prestar auxílio, dar suporte, estar atento as atitudes de seu pupilo, cobrar postura, etc…Mas infelizmente não é o que acontece, já ouvi de um pai de santo o seguinte:
– Depois que eu cruzo a pessoa, acaba meu compromisso, ele tem de se virar.

Ledo engano.

Estou com 34 anos de Umbanda, a 13 a frente da ASSEMA, ou seja, somente depois de 21 anos de terreiro, me achei preparado para isto.

Vendo o que esta acontecendo hoje, estou chegando a conclusão que eu tenho algum “déficit de aprendizado” como dizem nas escolas, já que levei 21 anos para fazer o que hoje em dia, fazem em 3 ou 4 anos.
Brincadeiras a parte, alguns alegam que esta “expansão” e benéfica, que simboliza o crescimento da religião, mas que crescimento é este?

Um crescimento sem qualidade, sem conteúdo, o que temos visto por ai, são terreiros sem identidade, sem personalidade, simplesmente reproduzindo rituais, médiuns sem preparo, sem compromisso, sendo umbandistas apenas durante os trabalhos, esquecendo princípios básicos da Umbanda, como fé, caridade e principalmente a HUMILDADE.

Irmão, lembrem de uma coisa, apesar de sua simplicidade, a Umbanda e uma religião de conhecimento, de entrega, ela não pode continuar a ser tratada de forma tão “superficial” como esta sendo nos últimos tempos.